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Câmara concede título de Cidadão Honorário a Frans Borg

19/11/2020

Da assessoria

O Plenário da Câmara Municipal de Castro aprovou, na sessão ordinária da última segunda-feira (16), a concessão do título de Cidadão Honorário de Castro ao engenheiro agrônomo, empresário e produtor rural Frans Borg, que presidiu a Castrolanda Cooperativa Agroindustrial durante 24 anos. O Projeto de Lei 78/2020, que concede a honraria, é de autoria do vereador Rafael Rabbers (PTC), segundo-secretário da Casa, e foi aprovado por unanimidade e em segundas discussão e votação.

A vereadora Fatima Castro (MDB), presidente da Câmara, havia designado o vice-presidente, Herculano da Silva (DEM), como membro “ad hoc” da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para analisar o projeto. Na sessão do último dia 9, a proposição recebeu pareceres favoráveis da Procuradoria Jurídica e da CCJ.

“Fico feliz de poder propor [...] um título honorário para essa pessoa que [...] se tornou uma referência no agronegócio”, disse Rabbers, durante a discussão do projeto, na sessão do dia 9. Ele destacou o fato de que Frans Borg foi citado entre as cem pessoas mais influentes do agronegócio pela revista Dinheiro Rural. “Com certeza, [Borg] deixou seu legado, e vai deixar”, afirmou.

Antonio Sirlei Alves da Silva (DEM) parabenizou o colega pela iniciativa do projeto e contou que conhece Borg há 42 anos, e que ele próprio trabalhou na Castrolanda, entre 1978 e 1981. “Ele [Borg] era o agrônomo responsável pela agricultura da cooperativa. Eu chegava às 7h30 e ele já estava saindo para ir a campo. Frans é um monstro do trabalho. É bom que se registre esse fato na nossa história”, relatou Sirlei, destacando que Borg “promoveu a colocação de Castro, no Brasil, como grande produtor de produtos agropecuários”.

 

Valores

Frans Borg nasceu em 1951, em Bourtange, cidade localizada na província de Groningen, na Holanda, e imigrou com a família, aos dois anos de idade, para Castro. Casado com Angela Maria Verschoor, Frans Borg tem três filhos – Rodrigo, Pablo e Cynthia – e sete netos. “Filho de uma família cristã praticante e com cinco irmãos, desde sempre aprendeu os valores que auxiliaram na sua formação e a entender até onde vão os direitos e deveres das pessoas”, informa Rafael Rabbers, na justificativa do projeto.

Borg iniciou os estudos na escola da Castrolanda, em 1957, e depois estudou no Colégio Instituto Cristão. “Posteriormente, ingressou no curso de Agronomia e destaca que foi uma oportunidade única dada por Deus, pois, àquela época, o ensino superior era algo para poucos. Para ele, a educação é de extrema importância e destaca que é um dos três pilares da Castrolanda, junto com a igreja (religiosidade) e a cooperativa (economia). A formatura foi em dezembro de 1974 e, no ano seguinte, Borg conseguiu um emprego na Cooperativa Castrolanda na assistência agronômica, justamente em um período em que a agricultura estava no início da sua expansão”, continua a justificativa.

Conforme informações prestadas pelo próprio Borg a Rabbers, naquela época, a área total planada pelos cooperados era apenas de 1,8 mil hectares, “e foi a atividade que cresceu muito nas décadas de 70 e 80”. Borg presidiu a Castrolanda de 1996 a dezembro de 2019, “sendo sempre reconhecido pela sua competência, honestidade e defesa do cooperativismo”. “Ele destaca que, apesar de não ter recordações, pois era muito novo, o grupo era muito bem organizado e havia um planejamento para desenvolver uma cooperativa e cada migrante sabia de seus direitos e deveres dentro do grupo. Ou seja, a organização, planejamento, compromisso mútuo e responsabilidade foram essenciais para o sucesso da formação da Castrolanda, mas, mesmo assim, houve adversidade, como a adaptação à língua, à cultura, ao clima e ao solo. Para ele, a persistência dessas pessoas conseguiu transformar Castro na Capital Nacional do Leite”, conta o vereador.

Rabbers relata que a primeira passagem de Frans Borg pela Castrolanda durou dez anos. Em 1984, decidiu ser produtor de grãos, “pois era uma oportunidade imperdível e que trouxe muita satisfação e bons resultados para ele”. “Mas, mesmo durante esse tempo, [Borg] permaneceu associado e apoiando a cooperativa”, diz Rabbers. Em 1992, Borg passou a integrar o Conselho de Administração da cooperativa – primeiro como vice-presidente e, a partir de 1996, como presidente. “Naquela época, Frans dizia acreditar que não estava preparado para o cargo, mas o aprendizado que ele adquiriu com os produtores quando trabalhou na assistência técnica foi fundamental para que ele integrasse a diretoria por 24 anos”, destaca Rabbers.

“Devido ao avançado da idade e a problemas de saúde, Frans decidiu não continuar na direção da cooperativa [...]. Segundo ele, durante a caminhada [...] ajudou a construir os princípios do cooperativismo na cooperativa, acreditando nos valores e na evolução da história e que se sente muito grato por ter feito parte de tudo”, segue a justificativa. Segundo informa Rabbers, Borg diz que a grande vantagem da cooperativa é que “nunca você está sozinho, principalmente na tomada de decisões importantes”, pois conta com o apoio de conselheiros, comitês, associados, colaboradores, parceiros e entidades como a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), “com os quais é possível refletir em conjunto para o bem comum da organização e da sociedade”.

 

‘Pai da intercooperação’

Na justificativa, Rafael Rabbers também cita impressões de outras pessoas sobre Frans Borg. “Eu tive a oportunidade de acompanhar o seu trabalho e destaco a serenidade, a sabedoria, ao colocar as palavras e a confiança no cooperativismo e no trabalho coletivo”, afirma Rabbers.

Para José Roberto Ricken, presidente da Ocepar, Borg é um “cooperativista autêntico, uma liderança expressiva e um exemplo para as pessoas que estão entrando no cooperativismo”. Para Ênio Karkow, diretor executivo do Centro de Treinamento para Pecuaristas (CTP), Borg “não ocupa simplesmente um cargo, mas ele abraça uma causa, com comprometimento, responsabilidade, integridade e humildade”.

O produtor rural Eduardo Gomes Medeiros, presidente do Sindicato Rural de Castro, afirma que “Frans Borg é um executivo que lidera pelo exemplo” e “que tem muito para contribuir, ainda, com os Campos Gerais e Castro”. Para Erik Bosch, presidente da Capal Cooperativa Agroindustrial, de Arapoti, Borg mereceria “um título de ‘pai da intercooperação’”.

Richard Borg, vice-presidente da Castrolanda, destaca “as características de retidão e de imparcialidade, buscando aplicar a justiça sempre em consenso, que são as características ímpares de um líder cooperativista”. O filho de Frans Borg, Pablo, ressalta que, “mesmo com tantas reponsabilidades, ele nunca deixou de pensar na família, de estar presente, dando orientação, conselhos, conhecimentos e, principalmente, transmitindo através de atitudes e ações os valores”.

No final da justificativa, Rafael Rabbers cita uma frase de Frans Borg: “Os povos que vencem são os que se ajudam e sabem acelerar seus processos de ação a serem unidos para construir”.